quinta-feira, 29 de abril de 2010

"A ensurdecente rua em torno meu uivava.
Longa, esguia, em grande luto, dor majestosa,
Passou uma dama, de uma mão faustuosa
Que a barra e a bordadura erguia e balançava;

Nobre e ligeira, com sua perna estatual.
Eu lhe bebia, qual demente embasbacado,
Do olho, plúmbeo céu, genitor do tornado,
A doçura fascinante, o prazer letal.

Um clarão... e a noite! - fugitiva beldade
Cujo olhar renascer, de repente, me fez,
Não te verei mais eu senão na eternidade?

Alhures, bem longe e tarde! Jamais, talvez.
Pois não sei onde vais; tu ignoras mi'as vias,
Ó tu que eu teria amado! Ó tu que o sabias!"

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