quinta-feira, 8 de outubro de 2009

-A [eu queria muito saber seu nome!]

"[...] Mortifica-te, estás à vontade, o remorso a jorrar de ti madrugada fora, porque o que é teu está irremediavelmente em mim e se calhar vice-versa, nem mil duches te salvam, nem esfregado a pedra pomes, a pele numa chaga viva.
Fica sabendo que não hesito; que espezinho e que comando; que faço fitas e abandono, e que não sou de fiar. És-me tão difícil quanto inesperado; és a incoerência, a incongruência, a vida vista de baixo para cima. És o dueto entre a raiva e a meiguice, entre o medo que tens do medo e a investida cega do herói solitário.
Às vezes de noite quando finjo que sossego, amo-te. Também te amo em certos momentos do dia e chega a haver alturas em que te adoro, isso nos intervalos em que te esqueço. Quero apoderar-me de ti e falar com esse sotaque que enfiarás sem querer na minha boca, empurrando-o com a tua língua. Terás um dilema moral por resolver, que coisa despir-lhe primeiro? e eu o diabo no corpo, toma lá que é para aprenderes. Quero-te perto, nas imediações, não me interessa se agora não dá, faz a trouxa e vem de malas aviadas que a estada pode prolongar-se. Sou egoísta, esporádica, imódica, e às vezes até asmática. Falta-me o ar quando me ignoras, arremelgo os olhos e arquejo, não tenho culpa, é uma doença, uma condição que me definha, tragam-me a bomba, por favor."

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Deixo tudo assim, não me importo em ver a idade em mim.

Ouço o que convém.

Eu gosto é do gasto.

Sei do incômodo e ela tem razão quando vem dizer que eu preciso, sim, de todo o cuidado.

E se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz, quem então agora eu seria?

Eu sei que ainda vou voltar, mas eu quem será?

Deixo tudo assim, não me acanho em ver vaidade em mim.

Eu digo o que condiz.

Eu gosto é do estrago.

Sei do escândalo e eles têm razão quando vem dizer que eu não sei medir nem tempo e nem medo.

E se eu for o primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado?

Olha, se não sou eu, quem mais vai decidir o que é bom pra mim?

Dispenso a previsão!

Ah, se o que eu sou é também o que eu escolhi ser, aceito a condição!

Vou levando assim, que o acaso é amigo do meu coração...

quando falo comigo, quando eu sei ouvir."