terça-feira, 23 de março de 2010

Desabafo.

Eu, definitivamente, perdi a capacidade de me apaixonar loucamente por alguém.
O que anda me fazendo pensar é o fato de eu não conseguir definir se isso é uma coisa ruim ou uma coisa boa. Será que passar os relacionamentos meio taciturna e mantendo uma forte distância da loucura é mais seguro do que me jogar, chorar, gritar, sofrer e explorar o sentimento até a última das últimas fendas?
Será que essa camada protetora que eu criei - e, convenhamos, fiz bem feita - pra fazer com que fosse difícil me atingir o interior, ao invés de proteger-me, fará com que eu viva as pessoas pela metade?
Ou será que o problema está no fato de eu, instintivamente, comparar a intensidade dos sentimentos que moraram em mim, por cada uma das pessoas por quem já me apaixonei?
Eu não devo comparar, é fato, mas não seria bom viver algo loucamente forte e recíproco e ter vontade de largar tudo, fazer loucuras, sentir aquele nervoso que me faz ter todas as idéias embaralhadas na mente e não conseguir formular uma frase coerente quando perto do objeto desejado?
Disso tudo tiro cinco conclusões:
- Sou masoquista, sinto saudades de sofrer por amor.
- Depois de muita emoção, os corações cansam-se e desistem de lutar, aceitando as condições como são, batendo constantemente para tudo, não excitando-se quando estimulados.
- Preciso de alguém que não concorde comigo, que me enerve e haja de forma incoerente, para que, talvez, surtos de adrenalina façam-me como antes.
- Sou viciada no amor, na paixão, na incoerência, nos defeitos e no sentimento infantil e sonhador de que podemos, sim, mudar o mundo. Pulso firme, braços estendidos, grito na garganta, cara suja e vontade de avançar.
As coisas fluem continuamente, não acontece o que não devia acontecer, tudo ESTÁ bem.
E então? É só isso? Sem desafios?
Bem-vinda à vida, Carolina. Chega de reclamar! Logo tudo muda - até bermuda! - e então você irá escrever mais, reclamar mais, blá blá blá mais, e mais, e mais, e mais...
-Eu, definitivamente, estou enlouquecendo.